domingo, 9 de agosto de 2015

"Falaram sobre o céu e as coisas bonitas do coração. Mais uma vez os planos em comum se projetavam adiante. Os pensamentos em sintonia. Mais uma vez ela tinha encontrado. Mais uma vez ela, sozinha, tinha encontrado alguém. Mal sabia ela que aquele abraço apertado de afeto era, na verdade, uma despedida.
Ah! A solidão machuca a alma. As vezes cicatriza, mas as vezes machuca de novo, e em cima do machucado velho, que dói mais.
Não sabia do amor. Ela nunca pode conhecer o amor, mesmo tendo sido uma apaixonada. Ela amava tudo, desde o por do sol, ao mais puro olhar de uma criança. Ela admirava a vida. Era feliz. Era quase completa.
Se perdia na imensidão do céu, na doçura de suas palavras e na dureza de seu coração. Não, ele não era duro. Ele se tornara assim, de tão frio que era o mundo. Era um coração mole, na verdade, que chorava fácil e estava doido para amar alguém mais.
Tudo parecia tão efêmero e aquele que era, hoje, perfeito, amanha parecia mais ser um tormento, um erro do destino. Talvez devia ter amado mais quem um dia já se dedicou a ela. Mas será que, de fato, houve alguém?"

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