sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Se houver um novo começo

Olhos de brilho intenso fechados para o mundo. O verde da natureza estava sendo cercado pelo vermelho de fogo. Ele já não sabia mais descansar. Era só isso que queria. Se esqueceria do mundo por alguns anos, e quando tudo já estivesse bem, ele retornaria para me fazer feliz. O coração se fechava, como os olhos. Não sabia mais amar ninguém. Não sabia, se quer, de si mesmo. De suas origens. Não sabia mais de mim. Amava-me friamente, como amava todas as outras. Os gritos ecoavam pelos corredores do hospital branco. A que ponto havíamos chegado? Luzes apagadas... a solidão! A escuridão era o conforto daquele que já foi um dia tão radiante. Quantos paradigmas! Quantas incertezas sobre seu próprio destino. E a ânsia de justiça com as próprias mãos? Ele tentou viver naquele mundo, como se fosse o melhor que ele podia ter. Ele foi grato inúmeras vezes por ter ao menos aquele mundo. Agora ele estava farto! O que o circundava era lixo. Ele era pó. Eu... eu já não era mais nada! Não fazia mais sentido ele ficar ali. Ele tentou uma vez fugir daquele mundo. A ciência tinha uma arma mais poderosa que a do demônio, e segurou sua alma. Na segunda vez, Deus todo piedoso, o confortou e protegeu. E agora? Como será daqui em diante? Talvez eu não esteja aqui para dizer... talvez ele não esteja para dizer. Talvez será, simplesmente, daqui em diante... Com olhos verdes vivos, energia radiante, abraços apertados e sorrisos largos.

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