Não é de hoje que nascer feio, pobre e morar longe é um grande problema. Pior ainda, é quando se tem esses problemas agravados pelo grau de educação, a maneira de se vestir, ou, caso mais grave, a maneira de se comportar em determinadas situações.
Ser feio, concordo, ninguém tem culpa, afinal não é nem uma divindade grega que vos fala. No entanto, algumas coisas podem ser concertadas ou disfarçadas.
Pobre... Podem culpar a sociedade, o sistema capitalista ou a política social implantada no país, porém é evidente que o mais culpado de ser pobre é o individuo. Só nasce pobre e morre pobre quem quer. Aliás, o tal sistema econômico tão criticado, nos possibilita exatamente isso: a mobilidade social.
Morar longe é outro defeito grave, nada pior que ter de esperar meia hora além do combinado porque a pessoa pegou um transito infernal, ou perdeu o ônibus... Ou quem sabe, não sabia exatamente onde era o local combinado (simplesmente por desconhecimento das regiões mais movimentadas da cidade).
Eu não quero deixar evidente aqui nenhum tipo de preconceito, até porque sou contra qualquer um, mas algumas situações merecem destaque. Especialmente aquelas que envolvem pessoas estranhas.
Juro que não fiz nada por maldade, por mais que pareça, mas algumas pessoas já nascem merecendo serem zoadas. Nunca fui disso, mas tem hora que a gente não aguenta mais.
Fugir de algumas situções é a melhor maneira de negá-las às vezes, de dizer que nada poderia ter sido pior. E foi só isso que fizemos naquela noite.
Mas claro, poderia ter sido tudo mais sensato e menos maldoso de nossa parte. Ou não. Não precisaríamos ter saído sem avisar, deixando os rapazes deslocados daquela forma, nem ter colocado em risco o transporte deles.
Poderíamos ter saído sem pagar a conta e não ter devolvido a chave da moto que os levaria embora de um lugar bem distante dali, uma vez que tinham pego uma “caroninha” com a gente até aquele temeroso bar(que coisa horrível). Poderíamos tê-los assustado mais, poderíamos ter sido piores, mas não tivemos capacidade pra pensar tudo isso na hora. Só queríamos deixar evidente que aquelas companhias tinha sido das piores durante toda a nossa vida.
Como disse, não há nenhum preconceito nisso tudo, apenas vontade de passar uma noite agradável ao lado de pessoas que pudessem nos levar a bons lugares (não naquele bar fuleiro), ter conversas agradáveis, e que fossem razoavelmente agradáveis aos nossos olhos. Não queríamos mais que isso, pelo menos não eu.
Mas enfim, a noite terminou bem para nós, afinal, havia tempo que eu não gargalhava daquele tanto. E para eles, acho que prefiro não saber, e acredito que assim será, porque seria impossível encontrá-los em algum lugar que eu freqüente; não porque eles talvez sejam feios, pobres e morem tão longe que não possam freqüentar esses lugares, mas porque eles simplesmente os desconhecem, assim como faziam com toda bebida do menu daquele bar fuleiro naquela noite.
Que Deus nos pedoe, e os fubangos do meu Brasil, a mim.
*Fubago: pé de todi... sem um sinomimo definido no dicionário (eu acho).
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